Joquebede Oliveira
Belisa Silva e Souza
Marky Brito
O cenário econômico do Acre em 2023 revelou um desempenho excepcional, consolidando o estado como um dos protagonistas no crescimento nacional. O Produto Interno Bruto (PIB) do Estado alcançou a marca de R$ 26,3 bilhões, registrando um crescimento real de 14,7%, o maior índice entre todas as Unidades da Federação. Este avanço reflete a soma de todos os bens e serviços finais produzidos no estado, servindo como o principal termômetro do vigor econômico
regional.
Dinâmica e Concentração Econômica Municipal
A estrutura econômica acreana em 2023 demonstrou uma forte concentração na capital, Rio Branco, que sozinha respondeu por 49,3% do PIB estadual (R$ 12,96 bilhões). Na sequência do ranking, destacam-se Cruzeiro do Sul (R$ 2,68 bilhões) e Senador Guiomard (R$ 1,11bilhão), formando o grupo dos únicos três municípios acreanos com PIB superior a R$ 1 bilhão. Após a pandemia, é notável que 13 dos 22 municípios acreanos registraram ganho de
participação na economia estadual durante este período, com Rio Branco e Cruzeiro do Sul liderando esses acréscimos.
As atividades econômicas predominantes variam conforme o porte dos municípios: nos municípios de grande porte (acima de R$ 1 bilhão), como Rio Branco e Cruzeiro do Sul, observa-se uma estrutura produtiva diversificada, com destaque para o setor de Outros Serviços; nos municípios de médio porte (entre R$ 300 milhões e R$ 1 bilhão), sobressaem a Administração Pública e a Agropecuária; já nos pequenos municípios (de R$ 100 milhões a R$ 300 milhões), a principal atividade econômica é a Administração Pública.
Desempenho das Regionais e Desigualdades Estruturais
A análise pelas regionais administrativas evidencia o domínio do Baixo Acre, que concentra 62% da riqueza estadual (R$ 16,24 bilhões), impulsionado pela infraestrutura logística superior e maior integração com mercados externos. O Vale do Juruá aparece em seguida, respondendo por 14% do PIB (R$ 3,80 bilhões), enquanto a regional do Purus registra a menor participação, com 5% (R$ 1,36 bilhão).
Apesar do crescimento global, os valores apontam disparidades: o Vale do Acre detém 79% do PIB estadual, refletindo desigualdades históricas na organização produtiva em comparação ao Vale do Juruá.
IB Per Capita: Liderança do Agronegócio
O PIB per capita estadual cresceu 11%, atingindo R$ 31.676 em 2023. O destaque positivo foi Senador Guiomard, que assumiu a liderança do ranking estadual com R$ 51.823, valor 39% superior à média do Acre, devido à sua pujante pecuária voltada à exportação. Capixaba (R$ 51.064) e Plácido de Castro (R$ 46.185) ocupam as posições seguintes, beneficiados pela produção de soja. No extremo oposto, municípios como Jordão e Marechal Thaumaturgo apresentam os menores índices, limitados pela alta dependência da administração pública.
Desafios e Perspectivas
O ano de 2023 também trouxe desafios, especialmente para os municípios dependentes da agricultura de grãos. Capixaba e Plácido de Castro sofreram perdas de participação relativas devido à retração nos preços internacionais da soja. Além disso, a regional do Alto Acre foi a única a registrar queda de participação (-1,5 p.p.) no período.
Esses dados reforçam que, embora o Acre esteja em uma trajetória de expansão significativa, o fortalecimento das economias locais e a diversificação das atividades produtivas são essenciais para reduzir as desigualdades territoriais e promover o desenvolvimento mais sustentável, principalmente nos municípios com alta dependência de recursos públicos, de difícil acesso e pouca diversidade produtiva.
Joquebede Oliveira, Economista (UFAC), é Chefe da Divisão de Estatísticas e Monitoramento de
Indicadores (DIMEI/SEPLAN)
Belisa Silva e Souza, Tecnóloga em Segurança Pública (UNAMA), Chefe do Departamento de Estudos,
Pesquisas e Monitoramento de Indicadores (DEEPI/SEPLAN)
Marky Brito, Engenheiro Florestal (UFRA), MBA em Gestão de Projetos (FGV), é Diretor de
Desenvolvimento Regional (DIRDR/SEPLAN)